Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

MUSEU DO CÔA - FUNDAÇÃO

 

O Museu do Côa abriu hoje. A notícia instituional aqui. E um dos trabalhos da comunicação social, o do jornal Público, neste endereço. 

Uma passagem da notícia:

«O museu está pronto, a expectativa é muita, mas as dúvidas também. E nem a decisão de ontem do Conselho de Ministros de constituir a Côa Parque - Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa, entidade que ficará encarregada de "gerir e coordenar" o novo museu, situado em Vila Nova de Foz Côa, e o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), parece resolver todas as dúvidas em volta do projecto.
Caberá à fundação "promover a salvaguarda, conservação, investigação, divulgação e musealização da arte rupestre e demais património arqueológico, paisagístico e cultural". À saída do Conselho de Ministros, Gabriela Canavilhas classificou a nova fundação como "uma estrutura autónoma" que visa "congregar as estratégias" para o desenvolvimento sustentado da região do Douro.»
E uma das interrogações que não me larga perante esta situação e outras semelhantes: quais os critérios que levam a optar-se por Fundação?   

publicado por MAF às 17:43
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«LER ERA UM PRAZER»

No jornal Público de hoje há um artigo de opinião de Carlos Vargas centrado  no encerramento da Biblioteca Nacional, por causa de obras, mas que eu aproveito para chamar a atençao para um tema que o texto assinala e que me é muito caro: o tratamento desigual que é dado à cultura quando comparada com outros sectores. O artigo:

 

Ler era um prazer

A notícia do encerramento da Biblioteca Nacional de Portugal, durante nove meses e meio, já a partir de Novembro, provoca no cidadão um sentimento de tédio pela estranheza de mais uma notícia absurda mas também pela arrogância que o facto em si revela.  

O Ministério da Cultura não é um fim em si mesmo: com os seus serviços, direcções-gerais, institutos e demais organizações (num total de 28), existe para assegurar determinados bens e serviços ao país, às diversas comunidades e ao cidadão em geral. Estamos longe, dir-se-ia, de um Estado que se autojustifica perante uma população veneranda, agradecida e obrigada. A competência e a razão da existência da máquina do Estado medem-se pela oportunidade e qualidade dos serviços que presta.  
 

É, portanto, com enorme tédio que se constata a absoluta arrogância com que o Ministério da Cultura resolve anunciar, no Verão que, daqui a meses, a Biblioteca Nacional vai encerrar sem um plano de contingência.  

Imagine-se que o Ministério da Saúde anunciava que, durante um ano, o Hospital de Santa Maria estaria encerrado para obras e, ligeiro, respondia a quem o questionasse que há muitos hospitais pelo país que cubram as especialidades em causa. E que esta seria uma oportunidade fantástica para conhecer outras realidades e outros equipamentos. Não se questiona a urgência e importância das obras em curso. Mas não é possível, em pleno 2010, suspender, adiar e ignorar desta forma a actividade de todos aqueles que utilizam a Biblioteca Nacional. Não é aceitável que não exista um plano de contingência que assegure o funcionamento deste equipamento, ainda que em situação provisória, por muito complexa e até onerosa que seja uma operação dessa natureza.  
 
O Estado democrático garante um escrutínio constante das decisões dos seus governantes, quer das boas e acertadas, quer das más e desajustadas. Ora a responsabilidade desta decisão é do Ministério da Cultura e da sua titular. Espera-se que, apressada, não venha agora a público anunciar a culpa de mais um director-geral e lavar as mãos. Haja bom senso e capacidade de resposta política e técnica a um problema real que merece toda, mas toda a atenção do Governo.  
 

Há qualquer coisa de simbólico e triste neste encerramento temporário da Biblioteca Nacional de Portugal. Como acontece também com o Palácio Nacional da Ajuda, ardido e inacabado. Mas as imagens têm destas coisas: a sua força excessiva revela bem uma certa decadência e ligeireza que nos atinge. No limite, podemos sempre fazer como no Farenheit 451: ler e decorar. E esperar que a biblioteca reabra.  

publicado por MAF às 17:36
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Brasil - Plano Nacional de Cultura

       

 

 

 

No post anterior fiz  referência ao facto de não haver um Plano Nacional para a Cultura e as Artes no nosso País. Nem de propósito, ao consultar o site do Ministério da Cultura do Brasil verifico que foi aprovado um Plano Nacional de Cultura que orientará as políticas culturais brasileiras nos próximos dez anos. Veja mais aqui e no vídeo acima assinalado. Talvez aprender com eles, talvez seja uma «boa prática».

publicado por MAF às 17:32
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

CULTURA, ARTES E DESENVOLVIMENTO

A crise vivida, melhor,  que se está a viver na cultura, em torno dos cortes dos 10%, também teve aspectos positivos, e eu recordo o que já tenho sublinhado, ou seja, os que se prendem com a discussão que provocou -  em termos mais comuns,  com o facto de se ter falado e escrito sobre a cultura e as artes. Contudo,  parece que a coisa começa a estar  quieta demais para o meu gosto, mesmo sendo Verão, e não gosto  porque é minha convicção que há um grande défice de reflexão que em grande medida estará na base do estado em que o sector se encontra. Curiosamente, ou não,  a «crise»,  em termos mais amplos, certamente sem se imaginar que ia haver os problemas dos cortes, fazia parte dos Encontros da Cerca 2010. Em mais do que uma ocasião, tanto nos encontros das «plataformas dos cortes» como em Almada, foi sublinhado o papel da cultura e das artes no desenvolvimento, e eu fiquei com a ideia que seriam muitos os que desconhecem a ENDS - Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável - que tem a ver com a matéria. Para o verificar pode ver estes endereços:   O SITE da ENDS e o da Resolução do Conselho de Ministro 109/2007 de 20 de Agosto precisamente sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Alguns destaques do diploma, onde se pode ler:

 

- No Ponto de Partida para a construção da ENDS (Pag. 7 pdf): «Identificado está, também, um insuficiente desenvolvimento da cultura e das artes, que afasta a sociedade portuguesa dos padrões internacionais e que tem reflexos na economia e no desenvolvimento global harmonioso.»

 

- Nos Pontos Fortes (Pag. 7 pdf): «Um património histórico, cultural, arquitectónico e de relacionamento com áreas emergentes da economia mundial, bem como na esfera da cultura e das artes, criadores e artistas de referência a nível mundial, criando condições sólidas para o desenvolvimento de actividades turisticas e para intercâmbio com espaços emergentes na economia mundial.» Outro:

«Uma língua - a língua portuguesa - como factor potencial de organização de um espaço cultural e económico de importância mundial».

 

- E nos Pontos Fracos (Pag. 8 pdf): «Sector da cultura e das artes frágil quer na comparação nacional com os demais sectores, quer em termos europeus, quer em termos internacionais»  

  

- E em Prioridades Estratégicas (Pag. 13 pdf) no âmbito da MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE PARA UMA MAIOR CRIATIVIDADE ARTÍSTICA E CULTURAL  aparecem como vectores estratégicos: (1) Inserção da cultura e das artes nos processos de ensino e de aprendizagem; (2) Mobilização dos meios para a poio à criação artística e cultural e à sua difusão.

 

- E depois temos Planos como se segue:

 

que podem ser melhor visualizados na Pag. 32 (pdf) da Resolução. E como se pode verificar não existe nenhum Plano para a Cultura e Artes. 

No entanto, na Pag. 35 (pdf) num ponto outra vez com o titulo MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE PARA UMA MAIOR CRIATIVIDADE CULTURAL E ARTÍSTICA  podem ver-se várias medidas concretas assim como na Pag. 37  prioridades estratégicas detalhadas, como por exemplo:

 

- «Aperfeiçoamento dos apoios à Artes do Espectáculo, pelo desenvolvimento de contratos-programa plurianuais, entre a administração central, as autarquias e privados, nomeadadmente os agentes culturais.»

 

- «Melhor cruzamento de raíz entre as infra-estruturas fisicas e os projectos artísticos que as justificam tendo em conta, em particular, o ordenamento do território e os públicos a que se destinam, utilizando para o efeito contratos-programa que consubstanciarão o projecto global unificador».  

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.   . 

 

Depois disto apetece recordar Almada Negreiros:

 

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas

 Só faltava uma coisa - salvar a humanidade

publicado por MAF às 22:02
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

FESTA DO AVANTE

 

 

 

 

 

 

E eu estou muito distraida, já devia ter anunciado a FESTA DO AVANTE para no Grupo Versalhes começarmos a pensar nuns programas. Será que ainda há lá alguém que nunca tenha ido à Festa? Bem sei que já é em Setembro e por essas alturas devo estar com aqueles episódios alérgicos malucos, mas vamos pensar positivo. Para já, eu quero ir quando os DEOLINDA actuarem  e prometo que não faço mais nenhuma exigênciaBem, talvez com o Teatro,  ... Bom, mas o melhor é todos verem o PRograma para podermos combinar. Aqui sabe-se tudo sobre a dita.

publicado por MAF às 22:32
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«CORTE E CULTURA»

  

 

Corte e Cultura é um artigo de opinião de Fernando Mora Ramos que nos chegou recentemente e que, na nossa perspectiva,  permite ver os «cortes na cultura» em outra dimensão. O texto completo neste endereço e aqui uma passagem:

 

«Nunca o teatro foi tão decisivo. Como arte da presença simultânea de cidadãos que buscam a verdade de ambos os lados da ficção em acto, ora elaborando ficcionalmente o que se corporiza no momento, ora ficcionando autonomamente o que se frui emocional e criticamente. E, portanto, como ficção que exibe os seus próprios antídotos, legíveis em corte de identificações miméticas e bárbaras, puro vazio, elegendo a racionalidade emocionada como esteio do pensar e como reordenamento do real – caos ilimitado que só se observa quando se lhe suspende o fluxo – por via da montagem e da fábula, elementos artifício de desocultação da mentira sistémica e forma de “desocultar” as camadas de mentira.

O corte recentemente apregoado e desdito, novela constante de um Ministério até aqui muito discreto, tinha de estranho justamente a incapacidade de diferenciar aquilo que não é lucrativo imediatamente – caudal de influências que age no longo prazo e não pode ser moda, Ésquilo ou Shakespeare, que, sujeitos a tantas modas, a elas sobrevivem há séculos ao contrário da própria moda, ciclo curto, desígnio negocial do mercado – daquilo que é imediatamente lucrativo.

Um projecto artístico não é uma soma de contratos nem de realizações pontuais, é uma obra que todos os dias se tenta e se pesquisa durante anos e anos, não é analisável no empirismo psicologizado do presente como a última coisa vista. Mais de quatro décadas levou Strehler a erguer o Piccolo Teatro. As nossas estruturas de criação são frágeis – mesmo as mais fortes são muito frágeis, obra de actos voluntários de obsessão e dedicação ao país – porque o Estado Democrático é frágil. É frágil na economia, aberta aos golpes da fortuna bolsista e a um desemprego larvar que não trava, é frágil na justiça que faz prescrever crimes como algo aceitável, é frágil na vigilância policial cidadã que resvala sem controlo para a agressão e o autoritarismo, é frágil na informação que não existe submetida à mentira constante da novelização da realidade consumida, é frágil na polémica institucional dada a mediania parlamentar, é frágil porque a educação é cada vez mais um sucedâneo apostado em conteúdos e formas pedagógicas em tudo formatadoras de uma escravatura ao serviço do consumo – o que explicará a vulgarização constante das aprendizagens da língua e o desprezo pelos autores?»

publicado por MAF às 19:59
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

DIRECÇÃO GERAL DE ACÇÃO CULTURAL memórias do MADEIRA LUÍS

  

 

Painel em Belém

 

A visibilidade pública que a Direcção Geral das Artes (DGARTES) teve nas últimas semanas, infelizmente não por boas razões,   - os principais motivos estarão relacionados com os cortes  dos 10% nos apoios;  a demissão do seu Director - Geral, afinal ainda não muito bem explicada;  o comunicado do Gabinete da Ministra da Cultura sobre a saida daquele dirigente; o cancelamento dos Apoios Pontuais do segundo semestre (será mesmo verdade?); etc.etc. - terão levado a que muitos que estiveram ligados aos organismos que antecederam a DGARTES, e remontemos ao 25 de Abril, se tenham lembrado de outros tempos, em que tudo era muito diferente. Se comparados, e sem se querer ser saudosista, não nos parece que esteja na natureza do Grupo Versalhes, foram tempos de qualidade.Terá sido qualquer coisa como esta que levou o Madeira Luis a  puxar das suas memórias e a produzir o texto que a seguir apresentamos  com a promessa de que outros virão. 

 

Augusta,

  

As recentes alterações verificadas na Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura desafiam-me a tentar listar o que considero terem sido, ao longo dos dezassete anos que ali trabalhei, os mais importantes projectos e acções, directamente realizados, ou fortemente apoiados, pela antiga Direcção Geral de Acção Cultural (SEC), de que aquele organismo  é o principal herdeiro.

 Esses anos vão desde 1976, quando, por convite do Secretário de Estado, David Mourão Ferreira, em função da proposta do Director Geral, Eduardo Prado Coelho, e por indicação do Director dos Serviços de Animação, o pintor João Vieira, passei a colaborar com essa direcção de serviços, até 1993, momento em que a “reforma” de Santana Lopes me afastou (e a vários outros) da Direcção Geral da Acção Cultural.

 A pormenorização acima feita resulta, não tanto da honra que sempre sinto nas circunstâncias em que entrei na SEC e no convívio que ali fui encontrar, mas principalmente porque julgo que ela evidencia uma clara fase da vida daquele departamento de Estado.

Tentarei, neste esboço, que muitos outros poderão aperfeiçoar, referir os nomes mais conhecidos ligados a cada serviço, acção ou projecto, lembrando, como nunca é demais, que eles só existiram pelas contribuições de muitos outros que a raridade de documentos e a escassa memória mantêm na sombra. Tentarei também referir projectos e acções que ficaram “no caminho”, quer por debilidade, quer por violência ou grave desleixo.

Para melhor entendimento do que se passou nestes dezassete anos começarei por enumerar os principais Serviços, Projectos e Técnicos existentes quando ali cheguei:

 1. No Gabinete do Director Geral, que coordenava, numa forma rara de gestão participada com os técnicos dos vários serviços os projectos respectivos, vale a pena referir, pelo seu percurso profissional, o nome do fotógrafo José Afonso Furtado.

 2. Na Direcção de Serviços de Animação, que desenvolvia o projecto de Centros Culturais para zonas periféricas e o apoio às acções pluriculturais, trabalhava, entre os vários técnicos, o escritor Modesto Navarro. Preparava-se então ali, com a curadoria de Ernesto Sousa e a colaboração de outros serviços da Direcção Geral, a mítica exposição “Alternativa Zero”, na Galeria Nacional de Arte Moderna, em Belém, que dependia da Direcção de Serviços.

 3. Os Serviços de Teatro, que regulavam o apoio aos Grupos de Teatro Independentes e organizavam, nessa altura, a vinda para Portugal de Augusto Bual, eram liderados pelo dramaturgo Norberto de Ávila.

 4. Os Serviços de Artes Plásticas, dirigidos pelo artista plástico, Fernando Calhau, e com a colaboração do SCAT (Serviço Criativo de Apoio Técnico), chefiado pelo pintor Vitor Belém, dedicavam-se, principalmente, a conceber e fornecer logística para várias acções, algumas emblemáticas, como a pintura do gigantesco painel alusivo ao 25 de Abril, construído por quarenta e oito artistas, em Belém, ou para várias exposições, nomeadamente as realizadas no âmbito do Congresso da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), a dedicada à obra de Maiakovsky ou a “Alternativa Zero”.

 5. Os Serviços de Música, dirigidos pelo arquitecto e melómano Romeu Pinto da Silva, que se empenhavam então, com o apoio de outras instituições, na reanimação das bandas de música tradicionais em vias de desaparecimento.

 6. Os Serviços Administrativos, que liderados já por Maria Augusta Fernandes, além de executarem as tarefas quotidianas necessárias para manter uma gestão integrada na dinâmica quase explosiva da Direcção Geral, iam esboçando modelos de organização para um futuro que se desejava.

 _______ 

Nota: A necessidade de fazer alguma investigação, que suporte a minha memória já fraca, leva-me a desenvolver os passos seguintes desta “história” em “capítulos”, que espero enviar-te em curtos prazos.

 

E cá ficamos, então, à espera de mais crónicas.

 

publicado por MAF às 22:19
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ALOÉS

 

 

 

Que bem que me sabe escrever  sobre a Companhia Teatro dos  ALOÉS,  e sobre uma Peça da sua produção - UMA LIÇÃO DOS ALOÉS (que tanto quanto sei até estará na origem do nome da companhia), e dos Recreios da Amadora onde a peça vai estar  até ao dia 1 de Agosto. Para saber mais sobre este projecto veja este endereço. Para avaliar da coerência do trabalho deste agente cultural  o melhor é ir ver a peça e começar a frequentar os Recreios da Amadora caso ainda não o faça. Eu vou muitas vezes e gosto, e Amadora é aqui tão perto. 

publicado por MAF às 20:35
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

MANUEL GUSMÃO nos ENCONTROS DA CERCA 2010

 

Tendo-se tido acesso ao texto que regista a intervenção de Manuel Gusmão nos Encontros da Cerca deste ano só faz sentido que o divulguemos aqui (para o que se obteve autorização, naturalmente). O documento completo  neste endereço e, para já, uma passagem que nos despertou particular atenção e que tem sido ponto de partida para aquelas discussões do dia-a-dia que sempre acontecem no local de trabalho e que certamente vai alimentar conversas aguerridas nos encontros do Grupo Versalhes, em torno de entendimentos de cultura:

 

« E finalmente, por agora, a cultura joga com o que fazemos com a linguagem, com o trabalho e as formas de combinação entre trabalho  e o não trabalho; a cultura é memória e esquecimento, descoberta e invenção; constrangimento e mobilidade, reprodução e transformação, domínio e emancipação.

As esferas da cultura (a educação, as artes, a ciência e a tecnologia) e as políticas em relação a elas conduzidas constituem grandes questões sociais e nacionais. Por um lado, porque são áreaas onde se geraram direitos individuais, mas também colectivos, e não interessam apenas àqueles que nessas esferas de actividade intervém, enquanto membros das comunidades educativas, científicas ou artísticas. Por outro lado, porque os objectivos reais, as prioridades, a afectação de recursos e as formas de intervenção do Estado nestas áreas, assim como as suas omissões, têm um impacto múltiplo na vida das populações, no desenvolvimento económico e social e na própria efectividade da democracia política.

São questões de sociedade e, entretanto, não obstante a sua longa história como país soberano, Portugal encontra-se mal colocado entre os paises europeus quanto aos indicadores relativos ao sistema de Ensino, aos níveis de qualificação da população e aos graus de participação em actividades culturais.»

 

 

publicado por MAF às 21:53
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Professor ROGÉRIO FERNANDES FERREIRA

 

O Professor Rogério Fernandes Ferreira faleceu. A comunicação social deu conta da triste notícia, por exemplo , na última edição do  jornal  SOL, de que era colaborador, escreveu-se: «(...) Portugal perdeu esta semana um respeitado fiscalista (...).Sensato, modesto e grande conhecedor do sistema fiscal nacional, era defensor de um IRS simples, convencido de que seria a única forma de combater a fraude fiscal. Além dos conhecimentos técnicos na área de contabilidade, economia e direito, o professor destacava-se pela simplicidade, amabilidade e resiliência (...)».E nesta mesma edição foi publicado o último texto escrito pouco antes de falecer com o título Divagações (em despedida)   que começa assim: «O texto que se segue será pungente. Escrevi-o pretendendo manter-me autêntico, no bom e no mau do que comunico. Pois estou sem forças e energias».

 E o  que nos leva aqui a recordá-lo? Poderia ser apenas porque foi nosso professor e porque tivemos o privilégio de o termos como orientador numa investigação de mestrado, no ISEG,  à volta de um tema, ao tempo, pouco vulgar: «Organizações sem fins lucrativos e a sua gestão estratégica». Ao princípio estranhou o pedido, mas depois, com entusiasmo, ao seu jeito, foi o orientador que  sempre imaginámos ter.  A partir dai, como tantos outros,  fomos  alvo de uma generosidade invulgar da sua parte: faziamos parte da lista a quem o Professor mandava as suas últimas  reflexões; as Boas-Festas sempre originais; o alerta que só  a nós interessaria; e quantas vezes não fomos contactados por pessoas à procura do nosso trabalho que tinham conhecido porque o Professor tinha falado dele. E também telefonava,  a pedir uma ou outra informação por pensar que seriamos a pessoa mais indicada para o efeito, colocando-nos num patamar de «igualdade entre pares» que  só  pessoas especiais conseguem fazer.

Do muito que aprendemos com o Professor, há um aspecto muito particular que nos tocou, e desde que tomámos consciência dele tentámos praticá-lo, e não porque ele alguma vez o tenha explicitado, mas nós captámo-lo assim: não baixar o nível na exposição qualquer que seja o tema, e nomeadamente na relação professor - aluno. Não escamotear as bases de partida que não se possuem. De facto, nunca o vimos desdobrar-se em formas menores para explicar o que era complexo. E há um outro de que os agora nossos orientandos  beneficiam pois com frequência valorizam a relação que estabelecemos com eles. Costumamos dizer: só temos de fazer o que o Professor Rogério Fernandes Ferreira fez connosco. Orientou mesmo, no plano teórico e prático. Seguindo caminhos já calacorreados por outros mas inventando no percurso que se ia fazendo. Podiamos ficar por aqui e dizer que esta seria a nossa pequena homenagem a esta «pessoa boa» que é o que nos ocorre em primeiro lugar e que nós pensamos ser o melhor  que se pode  dizer de alguém. «Gente, gente», numa expressão mais restrita que muito utilizamos entre  amigos. 

Mas para além disto pensamos que tem cabimento falar aqui dum acontecimento  especial, o da sua participação no Seminário Organizações, Cultura & Artes de que já falámos aqui nestes blogue - veja aqui . Acedeu, amavelmente, ao convite formal que o Professor Rui Vieira Nery e o Professor João Carvalho das Neves lhe fizeram para coordenar um dos paineis - Acompanhamento Financeiro das Organizações [que eram organizações de cultura e artes] - onde como na generalidade dos debates se queria numa mesma ocasião «confrontar» os das artes com os da economia, da gestão, das finanças. A imagem acima mostra os elementos da mesa - O Professor Rogério Fernandes Ferreira ao centro; e de um lado os então Presidente do Tribunal de Contas Alfredo de Sousa e o Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas José Vieira dos Reis ; do outro lado, das artes,  Mário Barradas (falecido no fim do ano passado) e José Carlos Faria para  falarem da cultura e das artes centrados no  CENDREV. Foi um Seminário em que as intervenções foram unanimemente consideradas de grande qualidade, e neste momento em que tanto se está a falar das artes e da cultura, fizemos um pequeno dossiê que pode ver aqui duma versão corrigida para edição  sobre o seminário (mas que até à data não aconteceu) que revela o pensamento do Professor sobre matérias então discutidas e  tão actuais. Disse isto, por exemplo:

 «um teatro ou uma televisão podem não ter espectadores suficientes mas há critérios de ordem não financeira que impõem que a actividade deva realizar-se ou nela deva investir-se».

 Lembramos a sua grande satisfação ao ver o Auditório do ISEG repleto com participantes vindos de todo o País e de ter comentado isso no início da sua intervenção.

 Uma pequena homenagem, e, uma vez mais, como em relação a outros que recentemente nos deixaram, uma forma de contribuirmos para cuidar do futuro do seu contributo para a reflexão na esfera da cultura e das artes.

 

Bom, sabemos destas coisas porque fizemos parte da equipa que identificou e organizou a iniciativa. 

publicado por MAF às 20:34
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