Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

O BANDO: TRINTA ANOS DE PROCESSOS CRIATIVOS EM BOA COMPANHIA

 

 

 

 Pelo 3oº. Aniversário d' O BANDO  o Esaú Dinis, do Grupo Versalhes,esteve  nos festejos de forma activa, tendo, por exemplo, participado  no  debate que se realizou no dia 18 de Outubro de 2004, em Vale de Barris, em Palmela - Debate 7: Processos criativos. Os públicos e a concepção dos espectáculos integrado na Retrospectiva e Jornadas de Reflexão que ali decorreram entre 15 e 18 de Outubro de 2004. 

 

Recentemente foi lançado o livro (ver foto acima) onde se encontram registadas  as intervenções e testemunhos que ocorreram nessa altura. No último sábado, 16 de Janeiro, houve uma Tertúlia  aqui  onde se continuou a Debater o Bando. 

 

Neste quadro, achámos por bem dar aqui conhecimento do texto do Esaú até para abrir o apetite para se ver o livro completo. Tudo  o que ele descreve é familiar ao Pessoal aqui do Grupo Versalhes. Quase todos, pode dizer-se, que faziam parte da «boa companhia».   Água benta e presunção ... .  

 

 

 
 
O Bando: trinta anos de processos criativos em boa companhia (1)
  
Es Dinis (2)                                                           
 
«Era uma vez um país
na ponta do fim do mundo
onde o mar não tinha eco
onde o céu não tinha fundo»
 
«Agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu»
 
Ary dos Santos (1995:141 e 327)

 

Tinha imaginado que testemunharia sobre O Bando principalmente como animador sócio-cultural e que poderia invocar o pós-Maio de 68, anos que ainda hoje me marcam (lembram-se da imaginação no poder?), realçando a utopia do fim de todas as censuras, precisamente porque se queria acreditar que chegara a hora do desabrochar das potencialidades escondidas por detrás das mil e uma formas em que se traveste a opressão (evoco o meu mestre em Paris, Paulo Freire, com a libertação do oprimido).
 
Havia, assim, previsto que, na evocação dos 30 anos de O Bando, traria à lembrança, sobretudo, os primeiros contactos por terras de Sintra, fosse pelo Cacem, recordando com o João Brites tempos de emigração, ele pela Bélgica, eu por França, fosse pelo Sabugo com aquele esplendoroso primeiro encontro-acampamento de teatro para a infância, fosse pelo Palácio Valenças, ou pelos muitos povoados e intervenções em tempo de rebuliço revolucionário em que tudo parecia possível e necessário.
 
Nesse propósito, até tinha guardado, nos olhos, a lua cheia que presenciou Os Bichos, no Convento do Beato em Lisboa, e, nos ouvidos, os sons de clarinete que irrompiam, como possessão, de todos os lados, por cima, por baixo e por dentro de mim e certamente de cada um, e depois traria as luzes e as trevas dos Trilhos naquela noite em que os Jardins do Palácio das Necessidades se deixaram possuir em derrame sem contenção. E o resto viria em cascata porque foram muitas as entregas e deleites, inquietações e propostas que me vieram pel’O Bando em repetidos reencontros.
 
Mas não irei, para já, por ali, precisamente porque, ao longo desta epopeia celebrativa, que vai no quarto dia, o essencial das vivências foram amplamente lembradas, quer por aqueles que protagonizaram o projecto ao longo destas três décadas, e eu quero invocar explicitamente, além do João Brites e Jacqueline, o Raul, Horácio, Cármen, José Carretas, Pompeu e o Cândido, quer por todos aqueles que, durante as várias prolongadas horas deste exemplar projecto matricial, aderiram, estiveram, e, depois, seguiram a outros desafios, ou a ele regressaram, e foram sempre muitos, limitando-me a invocar o espanto, a aprendizagem, o evento como mensagem, o reflexo, o choque ou o confronto, assim como a adesão sem regateio, ou meditada nos silêncios do gotejar da vida.
 
Vou, para começar, e a título simbólico, simplesmente circunscrever o meu testemunho à condição profissional que me acompanhou ao longo dos últimos trinta anos, os primeiros onze como funcionário no Ministério, ou Secretaria de Estado da Cultura, os outros, quase dezanove, como funcionário no Ministério da Saúde e depois do Ensino Superior.
 
É, pois, na condição de funcionário público, que aqui assumo “com muita honra”, que prestarei a minha homenagem a O Bando, contextualizando-o nos trinta anos que nos separam,aproximam e identificam com o 25 de Abril.
 
 Na verdade, regressado de uma passagem de mais de cinco anos pela região parisiense, entrei na Secretaria de Estado da Cultura, ou sua antecipação, para trabalhar na animação cultural, na Direcção-Geral dos Assuntos Culturais, a partir da qual, então, se pretendeu renovar museus e bibliotecas, sob a coordenação amiga da Drª. Maria Alice Faria, irmã de Eduardo Lourenço, em quem O Bando sempre encontrou amizade e incentivo - Quantas vezes o reconhecimento técnico, ou burocrático, de um organismo oficial representou a alavanca  necessária para se levar mais longe o arrojo de um projecto !
 
Habituei-me, desde então, a reconhecer a urgência da função pública cumprir papel decisivo na democratização do país, invertendo a funcionalidade e eficácia castradora que as estruturas burocráticas tinham tido ao serviço do Salazarismo e do Marcelismo.
 
Acompanhei de perto, integrando, o trabalho da Comissão Interministerial para a Animação Sócio-cultural (CIASC), orientada por uma pessoa de eleição, a Drª. Teresa Santa Clara Gomes, que, mais do que acreditar, praticava uma autêntica aprendizagem de cidadania responsável, na qual o associativismo, a literacia, a arte e a cultura desempenhavam papeis insubstituíveis.
 
Sintomaticamente, ou talvez não, através da animação de museus, bibliotecas e arquivos foi possível dinamizar processos criativos exemplares, envolvendo o João Mota e a sua Comuna, logo em início de 1975, na tentativa de despertar para o campo da cultura jovens a braços com o serviço cívico na espera atrasada do ingresso na universidade. Quero acreditar que esta experiência tenha tocado muitos que naquela idade foram apanhados por um país em grande ebulição.
 
Seguindo a mesma estratégia, foi possível, de Norte a Sul, envolver gente da expressão dramática como António Nóvoa, Carlos Fragateiro, Amílcar Martins e Isabel Alves Costa, entre outras referências maiores do trabalho realizado nas Escolas do Magistério, sem esquecer a intervenção no fabuloso e emergente universo da literatura infanto-juvenil que nelas encontrava espaço para germinar, sendo-me grato lembrar Natércia Rocha, a mãe de Mário Viegas, Maria José Sotto-Mayor, e tantas mais que souberam adivinhar as potencialidades do livro e da leitura para o desenvolvimento cultural.    
 
Quanto ficámos a dever a gente determinada como Madalena Cabral no Museu de Arte Antiga, Carmen Cabral no Museu de Soares dos Reis, Helena Coimbra no Museu  José Malhoa, Madalena Teixeira no Museu do Traje e outras mais que souberam abrir as suas colecções a populações de todas as idades, a partir dos serviços educativos, onde a criança e o adolescente eram os príncipes criadores, conjugando as diferentes expressões, desde a plástica, à musical, à dança e ao teatro, incluindo ateliês de escrita e de leitura e até ao despertar para as questões ecológicas então novidade.
 
Embora sem pretender ser exaustivo, lembro o trabalho de grande alcance para a descentralização e desenvolvimento cultural que representou a criação pelo país dentro dos Centros Culturais Regionais, inspirados na experiência francesa de André Malraux, sendo obrigatório pôr em destaque o papel de Madeira Luís como seu mais eficaz obreiro e teorizador. Muitos outros deram o seu melhor, querendo aqui recordar Mário Barradas em Évora, Alberto Serra em Santarém, dois Cabrais em Vila Real, Conceição Madruga no Alto Minho, Carlos Faria na Casa da Cultura das Caldas da Rainha, Carlos César em Setúbal e Castela na Beira Interior, para só falar de memória de alguns das primeiras horas.
 
Posso afiançar que em diversos sectores, desde a extensão rural às casas do povo, desde as escolas ao movimento cooperativo, da alfabetização de adultos até à acção cultural, das associações de moradores às comissões de trabalhadores, se viveram experiências singulares de criatividade, empenho e desapego, fomentadas por funcionários que acreditavam no papel dinamizador que poderiam desempenhar para a democratização/libertação das pessoas e circunstâncias, através das múltiplas formas e processos de participação e cumplicidade em que a arte não podia estar ausente.
 
Mesmo mantendo-me apenas na pele de funcionário público, sobretudo durante o tempo que servi (n)a Cultura, ser-me-ía possível evocar exclusivamente a acção desenvolvida ao longo de trinta anos pel’O Bando, porque, de forma regular, fui seguindo e querendo saber da coerência e do brilho duma trajectória assumidamente insubmissa e quase rebelde.
 
Prefiro, pelo contrário, abrir a porta a outros que contribuíram decisivamente para a criação de públicos através de processos participativos que passaram e passam pelos espaços de sala de aula, pelas actividades de tempos livres, pela animação sócioculural, pelo teatro, pelo livro e pela leitura, pela educação de adultos e pelo trabalho sindical, mas também pelo quotidiano no Serviço Nacional de Saúde ou pelo desempenho teimosamente imaginativo numa qualquer autarquia.
 
Neste entendimento, O Bando, tantas vezes identificado como uma “Companhia, até pelos seus próprios artistas e cooperadores, metáfora militar e hierárquica, que não aprecio particularmente, foi e esteve em boa companhia. Será um entre os grandes dos muitos que marcaram estas três décadas (em latim: primus inter pares, ou e pluribus unum).
 
Com efeito, no meu entender, em alternativa a considerá-lo o santo do dia, é preferível homenagear O Bando olhando-o a partir do processo revolucionário do 25 de Abril e mais particularmente do tríplice objectivo de descolonizar, democratizar e desenvolver do Movimento das Forças Armadas, a que se pretendeu juntar um quarto “D” de dinamização, que carece de um olhar crítico, desapaixonado, para se distinguir o que nele houve de aproveitamento e de desvio, mas também quanto existiu de atitude aberta à liberdade de expressão e de respeito pelos distintos tempos, ritmos e dinâmicas pessoais e colectivas.
 
Assim, recordo, ainda, o excelente trabalho desenvolvido, desde há trinta anos, pelo CIDAC, de que lembro a obra inicial de Luís Moita e, nas duas últimas décadas, a maturidade serena de Luísa Teotónio Pereira, que se agigantou no caso de Timor.
 
No mesmo abraço e memória, incorporo todos aqueles que, a partir da militância no movimento associativo e de animação, organizaram encontros nacionais, regionais e locais de associações e de animadores culturais, desde o primeiro em Coimbra, no ano de 1977, dedicado às organizações de base, passando pelo realizado, no ISCTE, em 1986, onde O Bando esteve bem presente com um dos seus espectáculos, demonstrando quanto associativismo e artes vão de mãos dadas. Não se pode ignorar a exuberância, a algaraviada e a utopia que animavam estes encontros nos quais, entre muitos outros, lideraram procesos de reflexão e de criatividade,  Madeira Luís, Orlando Garcia, José Ferreira, Teresa Sá,  Luís Macara, Eugénia Vaz, Filó, Helena Mendes, e o amigo da UNESCO Ettore Gelpi, assim como, nos anos pós 25 de Abril, o CAOB e a APAC, em Lisboa, e depois esse grupo sem sede nem programa chamado GAMIA, assim como a Revista Intervenção, o CEC do Porto e o GIAC de Coimbra, todos de boa memória e nunca em bicos de pés.   
 
Tenho de chamar também a esta companhia o ARCO de Manuel Costa Cabral na encosta do Castelo de S Jorge, a ÁRVORE de José Rodrigues no Porto, o canto de intervenção de Zeca Afonso, José Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais, Sérgio Godinho, a Cooperativa ÁRGEA de Joaquim Alberto, a IN LOCO de Alberto Melo na serra algarvia, o processo SAAL projectado para atacar de forma esteticamente inovadora a imensa chaga dos bairros de lata e clandestinos, grupos de teatro como a Barraca, a Cornucópia, o Trigo Limpo/ACERT do Zé Rui em Tondela, o CENDREV de Évora, o Teatro da Rainha, o Manuel Guerra em Coimbra, e quantos outros projectos no campo do teatro, todos inscritos em generosos processos de clara transformação social, cultural e cívica, sem nunca deixarem de privilegiar a dimensão artística.
 
Como já lembrei, praticamente vi nascer O Bando e, desde os primeiros anos, acompanhei com alguma atenção, e sempre com respeito, o seu trajecto impar de coerência e de determinação até à frugalidade, ao serviço da cultura, da arte e da educação, tendo conseguido manter-se, através dos tempos, irrequieto, buliçoso, flexível, como um bando improvisado de adolescentes (ou de pardais à solta).
 
Sempre o espreitei imprevisível de lucidez, perseguindo projectos de criatividade e de solidária participação, agora aqui reinventando uma quinta, ontem nas margens de Ferreirós do Dão por terras de Tondela, anteontem participando nessa Peregrinação dos fins de tarde na Expo ’98, que logo senti estar a abrir novas pistas para mil reinvenções pelo país fora, ao mesmo tempo que trazia o risco da desagregação que quase sempre ameaça, mas que sempre foi conseguindo ultrapassar através da proliferação de pólos mais ou menos convergentes.  
 
Estive, assim, por perto e por longe, mas atento, em muitos dos momentos em que O Bandoarriscou a difícil missão de criar a descoberto e em rebeldia serena, acreditando nas potencialidades da criança e do jovem, mas também do ancião, do professor e do camponês, quer dizer, sem ignorar a cultura da vida e da batata, e, já agora, da azeitona, uma vez que a sua apanha esteve programada como acto simbólico desta efeméride celebrativa.
 
Foi, desde o início e durante as suas diferentes e, por vezes, dolorosas vicissitudes, um claro projecto de intervenção directa e colectiva, com base numa postura profissional, assumidamente do lado da estética, resolutamente sem concessões às políticas do dia, intencionalmente do lado da cidadania crítica, ao serviço de uma sociedade mais responsável, mais democrática e mais culta, lembrando a importância da economia e do pão e vinho de cada dia.
 
Para mim, não obstante posicionamentos mais elitistas, que aqui e acolá afloraram, sempre se tratou, principalmente, de um projecto de intervenção político-cultural, de animação, de descoberta e de desenvolvimento, criando condições para a interacção entre grupos, pessoas, projectos, valorizando a interface e parcerias com outros programas, como se o bem contagiasse sinergias.
 
Podemos falar em companheiros de viagem, de cooperadores num mesmo sonho de liberalização cultural e social, em que a arte tem um papel estruturante, sem, contudo, criar fronteiras rígidas entre profissionais e amadores, entre artistas e agentes de mediação, entre o trabalho educativo ou de formação e a ocupação de tempos livres, entre a actividade dramatúrgica ou de encenação e a perspectiva de abordagem do animador no turismo ou no desporto para todos. Ary dos Santos é claro a este propósito, quando afirma que “… um passo atrás são sempre dois em frente/e um povo verdadeiro não se trai/não quer gente mais gente que outra gente.” (1995:389).
 
Se neste contexto quisermos celebrar a riqueza e singularidade de um projecto que sempre privilegiou a imaginação, temos de dizer que a grandeza d’O Bando está no facto de ter sido um dos muitos factores de resistência das chamadas conquistas de Abril, que ninguém nos tira – “agora ninguém mais cerra/as portas que Abril abriu”. (Ary dos Santos, 1995:327).
 
Em trinta anos, O Bando andou, pois, em boa companhia e tornou-se boa companhia, feito andarilho de muitas sementeiras de criatividade, tantas vezes ignoradas pelos poderes públicos, levando, na metáfora de Torga, Portugal às costas por montes, vales, vilas, aldeias e cidades.
 
Outros desafios têm de perfilhar-se agora, pois, como diz Ary dos Santos, que escolhi, terão já percebido, como diapasão deste depoimento, “o passado é já bastante/vamos passar ao futuro, certos de que: Isto vai meus amigos isto vai/o que é preciso é ter sempre presente/que o presente é um tempo que se vai/e o futuro é um tempo resistente.” (1995:369 e 389).
 
Deixando, ao finalizar, a qualidade do funcionário público, que guarda como  referência  maior a introdução de uma perspectiva cultural na abordagem das questões da formação e da saúde, regresso às convicções e à prática da animação cultural como opção por processos inovadores em que a participação de cada um e das comunidades de diferente dimensão, pode e deve inventar e produzir a sua própria história, não se contentando com os processos de fruição e consumo, sejam eles de dominante social, política ou artística.
 
Presto, deste modo, a minha homenagem a todos aqueles que tomando, mais de perto ou mais de largo, O Bando como referência, contribuíram para a construção de gente que quer ser gente num mundo mais belo, mais humano e mais criativo, favorecendo por arrastamento a formação de públicos para o teatro, para as artes plásticas, mas também para a música e para o artesanato, sem esquecer a influência que levará, e reciprocamente receberá, dos processos de acção política e profissional.    
Mesmo à distância e de forma intermitente, pude beneficiar da existência d’O Bando como lenitivo e alerta, ao mesmo tempo que reconheço que no serviço público, e em inúmeros e diversificados sectores, muitos fizeram o seu melhor para que as questões da justiça e do direito prevaleçam sobre as regras frias de um funcionarismo sem alma, defendendo, deste modo, no quotidiano de muitas pequenas lutas e resistências, a educação, saúde, dignidade e a formação ao longo da vida, numa palavra, a cidadania numa terra de todos e para todos.
 
Bem-haja O Bando pelos trinta anos de processos criativos em boa companhia!
     
 Vale de Barris, PALMELA, 18 de Outubro de 2004 – Esaú  Dinis
 
 
(1) Texto suporte do testemunho que prestei, no dia 18 de Outubro de 2004, em Vale de Barris, em Palmela, no 30º Aniversário d’O Bando, no quadro do “Debate 7: “Processos criativos. Os públicos e a concepção dos espectáculos”, integrado na “Retrospectiva e Jornadas de Reflexão”, que ali decorreram entre 15 e 18 de Outubro de 2004.
 
(2) Num testemunho, em princípio, não se teoriza (será que não?). Mas se propusesse uma hipótese de leitura seria à volta da arte (ou dos processos criativos) como produtora de públicos: toda a cultura é indutora de alteridades em relação ao real existente e por isso criadora de púbicos. Para a sua emergência, colaboram a família, convivialidades de vizinhança e escolha, o trabalho, a televisão, a escola e o jogo, também a literatura, música, cinema e a geografia do ócio e dos sabores. Isso ocorre em grau de maior intencionalidade com a criação artística, mas também se repercute em toda a parafrenália que passa pelo estômago e pelos olhos, sem com isso desmerecer do nível de exigência ou de ser. O “constrangimento” do público na construção dos espectáculos não pode significar o puro mimetismo de exclusivamente se executar na oferta a procura, mas também não deve forçar à incomodidade gratuita de uma afronta. Todos somos público (povo) e todos criamos, também os públicos.
 
(3) Referência: Ary dos Santos, J. C. (1995) Obra Poética, Lisboa, Ed. Avante.
   

  

publicado por MAF às 21:39
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