Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

CORNUCÓPIA «FORA DE CASA»

 

 

 

 

 

 

Eu vou aonde a Cornucópia vai, e deste modo no último fim-de-semana  fui ao Teatro Nacional D. Maria II ver o espectáculo MISERERE  (O Auto da Alma e outros Textos de Gil Vicente) em cena até 23 de Maio.

Por sua vez o espectáculo anterior a CIDADE foi apresentado no Teatro S. Luís e lá fui eu também. No passado já vi a Cornucópia no Teatro Nacional de S. João no Porto - aquele espectáculo admirável  Um Auto de Gil Vicente   com que se iniciou uma nova fase do TNSJ em 1996 - e vi-os também em Coimbra no âmbito de Coimbra Capital do Teatro 92 com Apanhados no Divã. 

E em Lisboa claro que assisti aos seus espectáculos  fora da sua sala  sempre que  lhes aconteceu representar noutro espaço:  se bem me lembro no Centro Cultural de Belém e no Teatro Trindade.

A Cornucópia faz parte da minha vida, da minha formação, de momentos de prazer pleno,  e admiro tanto o seu trabalho que gostava que todos os portugueses tivessem a possibilidade de ver os seus espectáculo se assim o desejassem. E digo isto para me sentir mais à vontade para adiantar que não adiro de «alma e coração» à saida da sua sala em Lisboa - Teatro do Bairro Alto - para outra sala também em Lisboa. Do género «vamos ali e já voltamos», por ocasionalmente terem a possibilidade de representar numa sala maior porque para isso foram convidados. Bem sei, bem sei, eu própria já utilizei o argumento (mas num contexto bem específico e com uma visão de longo prazo e propósito imediato claros consentâneos com a grandeza da Companhia e dos seus protagonistas centrais) que vai no sentido de que assim há outros espectadores, que nunca iriam à Sala da Companhia, a verem o seu teatro. O próprio Luís Miguel Cintra no Programa do Espectáculo (a propósito, se passar pelo Rossio quer vá ou não ver a peça compre o Programa, tem preço muito acessível e do meu ponto de vista está muito bom) diz que «(...) a apresentação num teatro nacional tem possibilidade de levar mais longe que a apresentação na pequena sala de uma companhia considerada "especialista" em textos clássicos (...)». Mas a Cornucópia é um livro e cada peça uma página, e ver apenas um espectáculo ... E até pode acontecer que aquele nem seja o mais «representativo» para quem nunca os viu. Teatro precisa de continuidade. A actual peça em cena é um trabalho difícil, arriscado: «Quisemos, cumprindo funções oficiais, corrigir uma injustiça, a do esquecimento nos últimos anos de um dos mais belos textos clássicos portugueses por demasiado "religioso", mas quisemos também fazê-lo apostando numa encenação, isto é, numa sua leitura, nada cobnsensual, polémica, arriscada, reinvindicando para o Teatro Nacional uma vontade de intervenção que não seja a mera apresentação dos clássicos com a função de conservenção de património dramático, e passe pela possibilidade de o tornar num lugar de criação contemporânea portuguesa. Julgo que um Teatro nacional tem o dever de produzir progresso cultural, e que pode e deve possibilitar a provocação intelectual do seu público heterogéneo, composto em princípio por cidadãos responsáveis pelo seu próprio pensamento.»,    escreve também Luís Miguel Cintra no Programa. E na conversa que João Carneiro teve com ele  - actual, Expresso de 17 de Abril de 2010 - e que pode ler  neste endereço   o encenador (actor, director) adianta: «O espectáculo procura recuperar uma dimensão espiritual para um tempo em que a procura de bens materiais e de conforto ocupa um lugar desmesurado. Pode provocar reacções diversas ou opostas nos espectadores, que podem ir do escandalo perante a violência representada à indiferença por questões religiosas, espirituais ou metafísicas. É um espectáculo que, segundo o encenador, não deverá ser mostrado a alunos de escolas sem que os professores o vejam previamente e, preferencialmente, falem com os seus criadores, que para isso se disponibilizaram já. É complexo de mais para gente nova e pouco preparada».

Tudo somado e ponderado aqui no Grupo Versalhes (acho que posso falar por muitos) sentimos alguma incomodidade  porque não nos conformamos - quantas conversas já não tivemos sobre isto! nos Primeiros Domingos e  em tantas outras ocasiões  -   que o Teatro da Cornucópia seja «nacional» apenas na sequência de resposta a um «convite do Teatro Nacional D. Maria II» ou equivalente embora para nós eles sejam «nacional» de há muito. Deve ser isso,  não nos resignamos que a sua dimensão nacional  não esteja já institucionalizada. Em particular, que não tenham «sala grande» sempre que o projecto artístico o solicite. Apetece mesmo o desafabo: como é possível?

E para terminarmos, sendo difícil ou não, não perca MISERERE. Concordamos:

 

«O "AUTO DA ALMA" É UMA

 CHICOTADA INTELECTUAL

 EM TEMPOS DE PASMACEIRA»   

 

publicado por MAF às 23:34
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