Sábado, 15 de Maio de 2010
«ESTADO DE GRAÇA»

  

 

imagens relacionadas com algumas das notas do Madeira Luis

 

Sou obrigada a detectar que nestes dias conturbados em que parece  tudo estar a correr mal muitos, deliberadadmente ou não, são levados a evidenciar o que de bom vai acontecendo. Penso que o Madeira Luís está nesse clube. Vejam:

 

Maria Augusta

  

As últimas semanas de Abril, em Aveiro, foram relativamente férteis em actividades culturais: uma série de performances, painéis, exposições ou ateliers, sob o tema “Silêncio”, organizada por uma pequena associação – Oficinas Sem Mestre – em vários espaços da cidade; uma tertúlia para discussão dos vários problemas relacionados com a Ria de Aveiro – património fundamental da Região e do País – promovida pela Fábrica de Ciência Viva e com a presença dos agentes (políticos, económicos, científicos) que com mais evidência se relacionam com esse património; a apresentação de um volume editado pela Universidade de Aveiro para comemorar o 5º centenário do nascimento do humanista Fernando Oliveira, provavelmente nascido em Aveiro e, até agora, praticamente desconhecido.

 Se me limito a referir estes acontecimentos é porque deles fica eventualmente, algum rastro ainda possível de seguir pelo leitor deste texto: entre outros, três fabulosos registos fílmicos apresentados no evento sobre o silêncio (“Dundo – memória colonial”, de Diana Andringa, “Cruzeiro Seixas: o vício da liberdade”, de Alberto Serra e uma montagem com imagens da erupção do vulcão dos Capelinhos, nos Açores, em 1957/58, a partir do registo do Professor Frederico Machado); Actas do encontro sobre a Ria de Aveiro, em poder da Universidade de Aveiro; volume de homenagem a Fernando Oliveira

 

 Mais do que analisar cada umas das escolhas, limito-me a uma curta nota sobre elas e espero que os leitores se sintam desafiados.

 

Dos três filmes direi: do primeiro que ele aclara bem os difíceis trilhos da ambiguidade entre consciência e estatuto de colonizador (e talvez também de alguns colonizados), do segundo que os trilhos, ou melhor, complexos, são agora o da coerência de um projecto criador e do terceiro que à acção da Natureza, ao contrário da do Homem, se nos impõe com a Beleza do inevitável, do arquétipo, para lá do Bem e do Mal, que daí advêm para a nossa espécie.

 

Dos dois encontros, além da óbvia importância que resulta do seu simples enunciado, vale a pena destacar o empenhamento por parte da Universidade de Aveiro e a presença destacada do seu novo Reitor, confirmando a ênfase dada às relações com o exterior, no seu programa eleitoral.

 

Felizmente, os inícios de Maio, em Lisboa, prolongaram este meu “estado de graça”, mas disso espero dar conta noutro momento com uma excepção: o anúncio do Colóquio Turismo Industrial: Cultura e Património, da iniciativa da ESHTE, a realizar no dia 20 de Maio, no Estoril, e que vem ao encontro de muitas das minhas utopias.

 

Entretanto, pode ver o Programa do Colóquio  aqui. 

 



publicado por MAF às 12:21
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2 comentários:
De Maria Judite Matias a 20 de Maio de 2010 às 15:56
Embora durante muito tempo se considerasse a Gramática de João de barros como a primeira Gramática portuguesa, já havia notícia da de Fernão de Oliveira.
Quando por sugestão do Prof. Lindley Cintra fiz um trabalho sobre a GRAMÁTICA, obviamente aparecia João de Barros como primeiro gramático potuguês, mas já era falado Fernão de Oliveira pelas pessoas que se interessavam por estas coisas da Língua, mas não estaria acessível.
È em 1975 que a Imprensa Nacional publica a Gramática de Fernão de Oliveira com uma interessante introdução de Maria Leonor de Carvalhão Buescu com leitura actualizada e notas, o que a torna de leitura acessível.
Curiosamente esta investigadora não receia "afirmar" que embora os dois gramáticos sejam contemporâneos, a Gramática de Fernâo de Olveira "singularmente original" terá sido escrita primeiro.
Já em 1929, Rodrigo de Sá Nogueira faz referência a esta Gramática escrita em
1536.

Gostaria muito de possuir um exemplar da agora editada pela Universidade de Aveiro, caso não seja muito caro. Tenho de pôr um limite nesta minha compulsão a comprar livros. Já li hoje uma notícia de que vai acabar o dinheiro para o pagamento dos vencimentos...
Ponho esta situação nas mãos do Madeira...
Queria ter o livro por duas razões:
por ser o texto original e para perceber a questão do nome. Sempre encontrei referido FERNÃO e agora surge FERNANDO.
Aguardo.



De Maria Judite Matias a 21 de Maio de 2010 às 12:32
Curiosamentre encontro a obra de Fernão de Oliveira "Livro da Fábrica das Naos" 1898 referida por HENRIQUE lOPES DE MENDONÇA umas vezes ,atribuindo-a aFernão ..... e outras a Padre Fernando .... o que me leva a concluir que tanto pode ser Fenão como Fernando, embora Fernão apareça mais vezes.


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