Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

REFORMAS E REFORMADOS

A coisa está preta e ninguém parece ser capaz de nos equacionar a situação na sua globalidade no que diz respeito a reformas a pensões e já agora aos protagonistas das ditas - os REFORMADOS. O assunto volta a ocupar a Comunicação Social e vale tudo. Utilizando o termo cidadão comum,  que a bem da verdade abomino, esse cidadão, à partida presumo que não seja especialista,  e apenas com informação propalada  nos  últimos dias podia ser confrontado com ideias e afirmações de especialistas à volta, por exemplo,  do seguinte:

 

- A esperança de vida aumentou e o que seria importante para os idosos é que mantivessem uma vida activa a bem da sua saúde. Ficar sem fazer nada  é o pior que lhes pode acontecer para a sua qualidade de vida. Dizia um médico num programa da televisão: é bom que tenham problemas para resolver. Pois bem, assim sendo não se percebe porque se facilita a antecipação das reformas. E até não se perceberá a razão pela qual as pessoas se querem reformar. Por experiência pessoal os meus amigos mais velhos do que eu que já estão reformados e que continuam com uma qualidade de vida excelente são de facto os que conseguiram arranjar nova ocupação remunerada ou que não o sendo lhes dá igual satisfação e lhes trazem  « problemas». E alguns deles trabalharam até ao último momento que a lei lhes permitia. E outros anteciparam a reforma porque iam ser prejudicados se continuassem ao serviço em termos financeiros ou porque já não suportavam os ambientes dos trabalhos. E na generalidade são profissionais de primeira linha. Mas quantos vão ser os reformados que vão desejar ou conseguir este desfecho? Não sendo especialista, (e haverá especialista para isto?) mas para as  minhas áreas de intervenção profissional - funcionária pública na esfera da cultura e das artes, e docente do ensino superior - há, segundo a minha análise, um manancial de medidas que podiam ser tomadas. Mas objectivamente, o lema: trabalhador  reformado  fique distante do seu antigo serviço. Bem sei,  perante o que estou a dizer há o argumento baseado no Desemprego dos Jovens - do meu ponto de vista, o grande drama nacional. Pois bem, as medidas que eu antevejo tinham um regra base: nenhuma ocupação senior por reformado retiraria emprego a um jovem. E, entretanto, estou a imaginar o que poderá acontecer numa escola quando uma determinada área de ensino ficar entregue apenas a jovens, por exemplo, na sequência destas entradas na reforma desordenadas. Não estou a fazer ficção. Nas artes, também como  exemplo, houve quase uma cruzada no sentido de actores do Teatro Nacional D. Maria II se reformarem, embora se diga «que os actores não se reformam». E o que aconteceu na circunstância foi que muitos deles voltaram a ser contratados para representarem no TNDMII e naturalmente com outro tipo de remunerações. E outros estarão por aí, na reforma, num lar, quando poderiam não estar ... . Não haveria mecanismo para muita desta gente, se assim o desejasse, continuar na sua vida activa sem começar já  a sobrecarregar a Segurança Social no todo ou em parte? Havia. Há.

 

- Bom, mas nos últimos dias estas questões andam à volta das «acumulações de reformas» e «de limites» para os valores das pensões À partida parece  que haverá um grande consenso em torno disto eventualmente com excepção dos visados que saiam prejudicados (para já há um caso destes  que adere às novas ideias, o Dr. Silva Lopes, que sendo pessoalmente prejudicado, afirma que tem de haver mudanças) mas haverá também muita demagogia e defesas sem estudos que as sustentem. Há uma tanto da «esquerda» como da «direita» que amiúde é usada: as pessoas estão a acumular reformas na sequência dos descontos que fizeram ao longo da vida. A minha pergunta: os descontos que foram feitos dão mesmo para aquelas reformas? Desculpem a curiosidade.

publicado por MAF às 10:47
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