Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

DIRECÇÃO GERAL DE ACÇÃO CULTURAL memórias do MADEIRA LUÍS

  

 

Painel em Belém

 

A visibilidade pública que a Direcção Geral das Artes (DGARTES) teve nas últimas semanas, infelizmente não por boas razões,   - os principais motivos estarão relacionados com os cortes  dos 10% nos apoios;  a demissão do seu Director - Geral, afinal ainda não muito bem explicada;  o comunicado do Gabinete da Ministra da Cultura sobre a saida daquele dirigente; o cancelamento dos Apoios Pontuais do segundo semestre (será mesmo verdade?); etc.etc. - terão levado a que muitos que estiveram ligados aos organismos que antecederam a DGARTES, e remontemos ao 25 de Abril, se tenham lembrado de outros tempos, em que tudo era muito diferente. Se comparados, e sem se querer ser saudosista, não nos parece que esteja na natureza do Grupo Versalhes, foram tempos de qualidade.Terá sido qualquer coisa como esta que levou o Madeira Luis a  puxar das suas memórias e a produzir o texto que a seguir apresentamos  com a promessa de que outros virão. 

 

Augusta,

  

As recentes alterações verificadas na Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura desafiam-me a tentar listar o que considero terem sido, ao longo dos dezassete anos que ali trabalhei, os mais importantes projectos e acções, directamente realizados, ou fortemente apoiados, pela antiga Direcção Geral de Acção Cultural (SEC), de que aquele organismo  é o principal herdeiro.

 Esses anos vão desde 1976, quando, por convite do Secretário de Estado, David Mourão Ferreira, em função da proposta do Director Geral, Eduardo Prado Coelho, e por indicação do Director dos Serviços de Animação, o pintor João Vieira, passei a colaborar com essa direcção de serviços, até 1993, momento em que a “reforma” de Santana Lopes me afastou (e a vários outros) da Direcção Geral da Acção Cultural.

 A pormenorização acima feita resulta, não tanto da honra que sempre sinto nas circunstâncias em que entrei na SEC e no convívio que ali fui encontrar, mas principalmente porque julgo que ela evidencia uma clara fase da vida daquele departamento de Estado.

Tentarei, neste esboço, que muitos outros poderão aperfeiçoar, referir os nomes mais conhecidos ligados a cada serviço, acção ou projecto, lembrando, como nunca é demais, que eles só existiram pelas contribuições de muitos outros que a raridade de documentos e a escassa memória mantêm na sombra. Tentarei também referir projectos e acções que ficaram “no caminho”, quer por debilidade, quer por violência ou grave desleixo.

Para melhor entendimento do que se passou nestes dezassete anos começarei por enumerar os principais Serviços, Projectos e Técnicos existentes quando ali cheguei:

 1. No Gabinete do Director Geral, que coordenava, numa forma rara de gestão participada com os técnicos dos vários serviços os projectos respectivos, vale a pena referir, pelo seu percurso profissional, o nome do fotógrafo José Afonso Furtado.

 2. Na Direcção de Serviços de Animação, que desenvolvia o projecto de Centros Culturais para zonas periféricas e o apoio às acções pluriculturais, trabalhava, entre os vários técnicos, o escritor Modesto Navarro. Preparava-se então ali, com a curadoria de Ernesto Sousa e a colaboração de outros serviços da Direcção Geral, a mítica exposição “Alternativa Zero”, na Galeria Nacional de Arte Moderna, em Belém, que dependia da Direcção de Serviços.

 3. Os Serviços de Teatro, que regulavam o apoio aos Grupos de Teatro Independentes e organizavam, nessa altura, a vinda para Portugal de Augusto Bual, eram liderados pelo dramaturgo Norberto de Ávila.

 4. Os Serviços de Artes Plásticas, dirigidos pelo artista plástico, Fernando Calhau, e com a colaboração do SCAT (Serviço Criativo de Apoio Técnico), chefiado pelo pintor Vitor Belém, dedicavam-se, principalmente, a conceber e fornecer logística para várias acções, algumas emblemáticas, como a pintura do gigantesco painel alusivo ao 25 de Abril, construído por quarenta e oito artistas, em Belém, ou para várias exposições, nomeadamente as realizadas no âmbito do Congresso da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), a dedicada à obra de Maiakovsky ou a “Alternativa Zero”.

 5. Os Serviços de Música, dirigidos pelo arquitecto e melómano Romeu Pinto da Silva, que se empenhavam então, com o apoio de outras instituições, na reanimação das bandas de música tradicionais em vias de desaparecimento.

 6. Os Serviços Administrativos, que liderados já por Maria Augusta Fernandes, além de executarem as tarefas quotidianas necessárias para manter uma gestão integrada na dinâmica quase explosiva da Direcção Geral, iam esboçando modelos de organização para um futuro que se desejava.

 _______ 

Nota: A necessidade de fazer alguma investigação, que suporte a minha memória já fraca, leva-me a desenvolver os passos seguintes desta “história” em “capítulos”, que espero enviar-te em curtos prazos.

 

E cá ficamos, então, à espera de mais crónicas.

 

publicado por MAF às 22:19
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