Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

«E A CULTURA, QUAL É O SEU PAPEL NO MEIO DISTO TUDO?»

 

 

A 24 de Setembro último assisti na FIL, no âmbito do «PORTUGAL TECNOLÓGICO 2010», à Conferência «Indústrias Culturais e Criativas como catalisadoras da inovação e da economia». Pode ver o Programa aqui. Ao pensar no que lá aconteceu, vem-me logo à memória uma observação da moderadora (na circunstância uma Dirigente do MC) que depois de umas tantas intervenções indagou, qualquer coisa como: «e a cultura, qual o seu papel no meio disto tudo?». E depois noutra variante: «o que é que a Cultura tem a ver com isto?». Lembrei-me, ali, na hora, que em tempos numa Conferência de Richard Florida sobre Cidades Criativas lhe perguntaram algo semelhante e ele respondeu: perguntem aos profissionais da cultura e das artes. Mas para além deste episódio há outros registos que consigo isolar e sistematizar:

 

- Desde logo, a questão dos conceitos. O ruído prevalece e continuamos a não saber o que verdadeiramente dizer sobre o que são «Indústrias Culturais e Criativas». Mas muitas das vezes são-nos apresentadas como algo estranho, esotérico, cujo entendimento  só será acessível a uns tantos privilegiados. Pois bem, e eventualmente isto terá a ver com a minha formação base que é na esfera da gestão (onde criatividade e inovação são temas de reflexão de há muito), apetece afirmar que, pensando bem, hoje, no século XXI, todas as Indústrias devem ser culturais e criativas, quer quanto aos produtos e serviços finais mas também nos processos de trabalho. Qualquer que seja o sector/ramo que consideremos. Se estamos, por exemplo, no sector/ramo do calçado (e uma experiência destas até foi  lá relatada, e eu pensava: mas o que é que isto tem de novo, que não se ensine «desde sempre» nos primeiros anos de qualquer curso de gestão!); e se olharmos, uma vez mais como exemplo, a produção de um espectáculo de Teatro, também estaremos nas «culturais e criativas». E foi muito interessante observar outra experiência relacionada com a produção de um  instrumento musical que resulta precisamente do cruzamento de conhecimentos e aptidões dos envolvidos: unia-os o gosto pela música; outros contribuem em especial com a domínio que têm sobre o comportamento dos materiais; outros sobre design; outros ... . E transversal a tudo, «ambição».

 

- E gostei  de ouvir um termo (precisamente vindo da Equipa do novo instrumento musical) que equacionou Indústrias Criativas = Empresários Alternativos. Com esta mesma ideia ando a falar de Gestores Alternativos. E tenho assinalado, por exemplo, para o sector das Artes e da Cultura, não só no País como no estrangeiro, Pessoas que correspondem ao perfil que eu identifico, no terreno, como correspondendo àquela figura. 

 

- E foi óptimo ouvir especialista falar da tecnologia «multitoque», e eu pensei logo em «milhentas» utilizações nas artes. 

       

 - E não percebi  o «pacote»  lá  anunciado que está a ser desenvolvido pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério da Economia na esfera das Indústrias Culturais e Criativas, seguindo quatro eixos: Formação; Financiamento; Internacionalização; Direitos de Autor. Uma vez mais, qualquer uma destas componentes, na minha apreciação, tem a ver com qualquer indústria e não me parece pela abordagem feita ser o nuclear de qualquer ministério da cultura. Mas aguardemos. A comunicação social noticiou esta matéria: 

 

« Ministra anuncia medidas para as indústrias criativas  
 
Cláudia Carvalho 
 
 
A ministra da Cultura anunciou que "muito brevemente" vai apresentar-, conjuntamente com o Ministério da Economia, um pacote de propostas para as indústrias criativas, que permitirão que o sector se afirme "de uma forma sustentável". Falando, ontem, na abertura da conferência sobre indústrias criativas e culturais, na feira Portugal Tecnológico 2010, que está a decorrer na FIL, em Lisboa, Gabriela Canavilhas referiu que este pacote de medidas pretende consolidar um sector que tem provado que tem retorno económico para o país. "Hoje em dia só se fala de nuvens negras, da crise, do Orçamento do Estado, e se há factor que pode ajudar a inverter este clima é a cultura", disse a ministra.  
 O novo conjunto de medidas envolve quatro eixos de intervenção: a formação, o financiamento, a internacionalização e os direitos de autor. "É um ciclo completo, que não pode dissociar nenhuma das fases", justificou Canavilhas, notando que a questão dos direitos de autor é especialmente sensível e complexa, "até porque nós não temos autonomia nacional para decidir sobre esta matéria".  »
 

 E  lá na Conferência, porque foi abordado, também me lembrei de  algo que há muito ando para referir neste blogue: para quem ainda não tenha dado por isso, foi divulgadao o Relatório Final «Potencial das Indústrias Culturais e Criativas, em particular nas PMEs» - tem data de 3 de Junho de 2010 -  disponível aqui. E sobre o trabalho pode ver uma apresentação neste endereço. Depois de estudar bem o documento voltaremos a ele, mas, para já, não atinjo de imediato a razão dos casos portugueses considerados, como «boas práticas», a saber:

 "Agência Addict”, “Museu de Portimão”, “Estudo do Sector Cultural e Criativo em Portugal de iniciativa do GPEARI/MC”, “Incubadora InSerralves”, “Programa Inov Arte”, “Programa Inov Contacto”, Programa de Turismo PIT”, “Programa de Turismo SIVETUR” e “Iniciativa da empresa YDreams”.

 Independentemente do valor de cada um dos casos considerados, vou gostar de perceber os critérios de selecção, até porque me vieram logo à cabeça outras experiências. Mas, ainda bem que, pelos vistos, há muitas.

 

E, por fim, não resisto a ensaiar uma resposta (nestas coisas sempre provisórias) sobre o que é que a cultura tem a ver com isto tudo. E na perspectiva do que é que o Ministério da Cultura tem a ver com isto tudo. Tem, e muito: ao cumprir o Serviço Público razão de ser da sua existência favorece todas as INDÚSTRIAS, favorece a vida, como acontece com o Ministério da Educação, por exemplo. Quanto «mais cultas» mais bons profissionais teremos, qualquer que seja o seu lugar. E melhores indútrias, que hoje têm de ser «culturais e criativas» para favorecerem a inovação, o que só assim as torna competitivas, e só assim criam riqueza para o País.E para isso são necessárias Pessoas competentes e talentosas. E por vezes, nestes ambientes estimulantes, surgem os génios ...   

publicado por MAF às 22:13
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