Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

ORÇAMENTO, CULTURA E OPOSIÇÕES

 

Do espectáculo em cena no Teatro da Rainha.

  

Foram muitos os que me mandaram e-mail para não me esquecer de divulgar o artigo de opinião de Fernando Mora Ramos publicado no Público de hoje.

O titulo:

Este tipo de corte, o que prenuncia, mais do que uma medida económica, é uma política, a da asfixia da democracia  
Cortes na Direcção-Geral das Artes - carta às oposições

 

Pode ler o artigo aqui.Começa assim:

«O corte proposto no Orçamento de 22,1 para 13,1 milhões de euros nos dinheiros da Direcção Geral das Artes anuncia um verdadeiro ataque àqueles que têm concretizado nas últimas três décadas e meia, no lugar do que o Estado deveria assumir, um autêntico Serviço Público Artístico - em particular teatral - às populações e ao país. Que seria e será de uma nação que não seja questionada e reinventada por práticas de reportório que, desde Abril, trazem ao convívio regular dos portugueses os seus clássicos, de Gil Vicente a Pessoa, os clássicos universais e contemporâneos, de Shakespeare a Strindberg e Beckett, de Pirandello a Brecht e Tabori?  
 Por estranho que pareça, a nossa inserção na Europa foi antecipada, nos termos destas práticas de reportório e experimentação, para muito antes da oficialização da adesão. Se há aspectos da nossa identidade verdadeiramente europeus, ligam-se intrinsecamente a tradições de criação literária e teatral que remontam ao século XVI - e mesmo à tradição trovadoresca. Gil Vicente, por muito que por cá não se diga, é um Shakespeare do seu tempo, um autor em que a Europa se pode rever como Europa, por construir e recriar toda a sua obra nas referências dominantes da tradição europeia sua coetânea e na matriz grega, desde a inspiração mítica, religiosa e bíblica, dos autos religiosos, à modernidade estrutural e formal da farsa chamada Auto da índia, teatro do quotidiano, retrato e documento - não me alongo sobre a genialidade dopoeta,o seu fabuloso imagético e a extraordinária vitalidade vocabular e rítmica. Nesta República, desde Abril que a palavra europeia tem sido constantemente transportada e disseminada no que tem de autêntico, crítico e ideal, pelas estrutuias de criação teatral que a têm teimosamente, num quadro precário, levado para a frente nos parâmetros das suas políticas de criação, de públicos e de formação que se traduzem no Serviço Público Teatral referido - não há muito, este sector "alternativo" tocava perto de um milhão de espectadores, dados do INE.  
E termina desta forma:

«Caros dirigentes dos partidos das oposições, socialistas mesmo socialistas, impeçam que este crime de lesa-pátria se cumpra. O que está em cima da mesa é uma clara regressão na respiração democrática e no perfil concreto plural e culturalmente livre do Portugal do século XXI. As estruturas de criação são, mais que os partidos, no seu todo, uma garantia de práticas de pluralidade simbólicas e críticas, alimento democrático, abertura de espírito e práticas de ampliação constante de uma largueza de horizontes que combata a xenofobia e o nacionalismo estreitos. Sem elas, o país, já cinzento, entrará num luto sem regresso. Não é uma blague - ainda agora diziam que sendo europeus nada nos podia cair em cima, não? Foram séculos de inquisição e cinquenta anos de fascismo, de cala e engole. Que pelos vistos aí está. Este tipo de corte, o que prenuncia, mais do que uma medida económica, é uma política, a da asfixia da democracia. 0 que está em causa não é a recessão económica, é uma regressão civilizacional.»

publicado por MAF às 22:59
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