Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

AS ARTES E O QREN - um caso concreto

 

Ao dar uma volta por sites de Agentes Culturais, hoje que estou em casa,  dei por este trabalho no do Teatro da Rainha. E escolho, para realçar aqui, o que está escrito sobre o QREN. Uma passagem:

«(...)

E isto foi parar aonde estamos também porque do ponto de vista da acção governativa a incompetência, a desregulação quotidiana de todos os gestos da administração pelo choque constante do que vem de cima com o que não se conhece em baixo, a falta de informação convergente, a inacção, a sobreposição de acções e funções, a total ausência de cumprimento dos ritmos de metas anunciadas como necessidades inadiáveis e mesmo a inconsciência total de como a realidade deve transformar-se segundo planos e ordenamento de acções integradas e coordenadas segundo uma lógica convergente, são o pão nosso de cada dia. O QREN não funciona nem abrem as medidas anunciadas como panaceia para males endémicos no plano propagandístico e isso acontece como se nada fosse. Os dinheiros europeus que terminariam de chegar neste último ciclo de apoio entre 2007 e 2012, resvalam um ano de prazos de vigência e isso é como se nada fosse. “Mais um ano menos um ano e até talvez seja melhor atrasar um ano” porque estamos no terror de deixar de ter esses dinheiros e portanto de fechar definitivamente a luz ao fundo do túnel, dirá um idiota qualquer de um assessor ou um Ministro com inteligência de circunstância. E pior, todos temos sofrido na carne a queda das plataformas electrónicas de acesso às supostas rotinas de funcionamento da administração pública face a compromissos oficialmente estabelecidos por concursos ou contratos.

(...)

No âmbito do QREN tentamos, Teatro da Rainha, desde há cinco anos, sem conseguir, candidatar um projecto de construção de um verdadeiro Laboratório de Artes Cénicas, edifício concebido pelo Arquitecto Nuno Lopes (ex Dir, do C. Histórico de Évora, responsável da elevação a Património Mundial das Vinhas do Pico e autor do Museu dos Capelinhos). Ao fim de cinco anos e de 50.000 euros investidos – sem os ter, na realidade - e depois de um parecer ministerial assumindo o Superior Interesse Cultural – saído em Diário da República – e também depois de andar de Ministério para Ministério pois o QREN deambulou, ficámos a saber que a medida em que o nosso projecto se inseriria, no âmbito da valorização do território, não tinha fundos. É tal e qual assim. Não é de estranhar o título do artigo, é a norma. Não só a Escola Pública de Administração do Estado não existe, como os partidos se substituíram a esses trajectos e são as “escolas” reais, aquelas por onde se trepa até lá se chegar. E a história dos ratinhos e do Paço está tal e qual como no tempo de Vicente. Viva a República.»

Este um bom pretexto para  voltarmos à carga: alguém tem de explicar o espaço da cultura e das artes na esfera dos fundos comunitários. Ou seja, no âmbito do QREN. Como se passou do POC para o QREN? Onde está a Cultura e as Artes nos diferentes Programas Operacionais? Onde prevemos estar ao fim do QREN? Quais as mudanças estruturantes que vão ser concretizadas? Quais os indicadores? Em particular, que explicação para o caso concreto do Teatro da Rainha? E não chega remeterem-nos para o que existe, porque é o que existe que não se entende: em termos estratégicos.

Quanto à falta de uma Escola Pública de Administração do Estado, até poderiamos estar de acordo. De facto o INA nunca chegou a preencher esse espaço. Mas vamos tendo Cursos no ensino superior na esfera da Administração Pública. E penso que há recursos, lá, nos serviços, que poderiam fazer diferente, primeiro na concepção e depois na implementação das Reformas que vão sendo lançadas. Mas não se sabe aproveitar esses recursos. E quem devia acompanhar e fiscalizar  também não o consegue fazer com impacto. Estamos no domínio dos factos. E em alguns dos organismos do MC parece que encontramos a ilustração plena do estado a que chegamos.

Mas é claro que não chega ser apenas os melhores tecnicamente. Isto mesmo nos é mostrado pelo filme «A Verdade da Crise» em exibição. Veja mais através daqui.

 

publicado por MAF às 11:50
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

.Outubro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. EXPOSIÇÃO | Cartazes de ...

. DIA INTERNACIONAL DAS MUL...

. Amas, Flores e Velas

. P A R I S

. EM MEMÓRIA DE VICTOR BELÉ...

. NUM DISCURSO DE MIA COUTO...

. «ERNESTO»

. CAPITAIS EUROPEIAS DA CUL...

. NO 1.º DE MAIO | «Insulta...

. 25 ABRIL 2015

.arquivos

. Outubro 2016

. Março 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Agosto 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds