Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

«E TODA A GENTE JÁ SE HABITUOU A ISSO»

 

 

 Da comunicação social de ontem e de hoje retive algumas passagens provenientes  de uma diversidade de trabalhos jornalísticos:

 - D TIME OUT Porto - «Qualquer início de rentrée, em Setembro, ou início de ano civil, em Janeiro, é sempre uma vaga incógnita quando se trata de artes cénicas e performativas. Primeiro, porque o segredo é a alma do negócio e as companhias não gostam muito de revelar o que é que andam a congeminar. Depois, porque há toda a questão complicadíssima dos apoios financeiros, dos concursos da Direcção-Geral das Artes, dos subsídios das autarquias, etc. O dinheiro pretendido nem sempre aparece, ou muitas vezes só surge à última da hora. Todos os anos é a mesma coisa, todos os anos piora, e toda a gente já se habituou a isso».

- DN - «Os sociais-democratas estiveram reunidos durante três horas com agentes culturais no Parlamento para tirarem o pulso ao sector e conquistarem aliados. Saíram com críticas ao Governo e a promessa de que consigo a cultura será "acarinhada".  
O que temos é um ministério da Cultura fantasma e um Governo que tem uma política errada e que o que diz nunca faz", acusou a vice-presidente Nilza Sena. O PSD denunciou o desinvestimento do PS na cultura e prometem que vão romper com a velha ideia do parente pobre. "O PSD acredita que a indústria criativa traz retomo e valor acrescentado. Nós não vemos a cultura como uma despesa, mas como um investimento importante para sairmos da crise", acrescentou a vice. O encontro juntou figuras como Paolo Pinamonti, ex-director do São Carlos, e Ricardo Pais, um vulto do teatro que esteve nos Estados Gerais de António Guterres.  
 - «i» - PSD critica desinvestimento na Cultura  
 LISBOA O PSD criticou ontem o "desinvestimento do governo" na Cultura, uma área que considera ser "capital para sair do contexto de crise". "Em síntese, temos um Ministério da Cultura fantasma", disse a vice-presidente do partido, Nilza Mouzinho de Sena.   O grupo parlamentar esteve reunido com uma dezena de agentes culturais.  
 - E há notícia também  no Público ; e
 na RR; e outra vez na RR. E desta última: «Paulo Ribeiro diz que, caso o Ministério da Cultura desapareça, Portugal voltará a ter “uma secretaria de Estado da Cultura, do Desporto e do Turismo, uma coisa assim do género, à terceiro mundista”». 

 E com facilidade apetetece fazer algumas observações:

«O segredo é a alma do negócio» - não sei se a coisa se aplica aqui. Com antecedência devem ser anunciadas as Programações. Ora, se estamos em Janeiro e não sabemos o que poderemos ver neste ano da Graça de 2011, algo está errado.  Mas não é isso que se passa, por exemplo, com Companhias de Teatro que em situações de extrema dificuldade conseguem manter uma dignidade e profissionalismo de se tirar o chapéu. Ilustração: acabo de receber um convite para estar presente na apresentação da Temporada (melhor, no lançamento da Programação) da Companhia de Teatro de Almada; e uma das noticias é mesmo sobre a apresentação da Temporada por Paulo Ribeiro; e é fazer uma ronda por  muitos mais agentes ...e ver como estão a reagir. Mas é óbvio que o não saber-se com o que se pode contar complica tudo, e se de repente (e sublinho o repente) ainda há cortes, o dinheiro que é pouco ainda se torna menor.

-«não vemos a cultura como uma despeas, mas como um investimento» - recordo sempre os comentários do Professor Rogério Fernandes Ferreira perante esta frase tão grandiloquente. Percebemos o que se quer dizer, mas ... para haver investimento tem de haver despesa - despesa de investimento.

- E claro que me lembro do estado em que o PSD deixou a Cultura em 1995 ao então  PS que lhe sucedeu no Governo.

- E fico sempre «com os cabelos em pé» quando vejo a abordagem da cultura, em primeiro lugar, pelo lado económico, eu que sou de finanças ... É o valor acrescentado para aqui,  é o retorno para acolá ... E tudo me cheira já a «slogans» sem conteúdo. Oxalá esteja enganada.

- E é isto que está em causa, ou seja, não se dar uma centralidade à cultura, e nisto a existência de um Ministério é importante,para lá da simbologia. Ver a importância da Cultura como um valor em si mesma, e não apenas porque contribui para o turismo, e para o emprego,  e para que os adeptos do desporto tenham alternativas de ocupação nos intervalos dos jogos (isto para alinhar no raciocínio de Paulo Ribeiro). E há Paises do «Terceiro Mundo» que têm Ministério da Cultura e do «primeiro» em que a Cultura tem «companheiros» ...  

Mas para concluir, para além daquelas ideias gerais com quem ninguém pode estar em desacordo, eu clamo agora por medidas concretas. Por exemplo, que alterações foram introduzidas na Assembleia da República no orçamento do Estado para 2011  para a Cultura por iniciativa dos Deputados? Certamente que me vão responder que não conheciam os dossiês, e que ainformação que lhes é proporcionada é insuficiente ... E se calhar até é verdade!  E agora, claro, porque o importante era termos um Orçamento aprovado por causa dos «mercados». Como diz repetidamente uma pessoa aqui do Grupo Versalhes: Santa Paciência! Mas aguardemos os próximos capitulos. E eu ainda resisto, não me habituo ao que não estou de acordo. Até quando?

publicado por MAF às 11:59
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