Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

«NÃO INVESTIR NA CULTURA É AGRAVAR A CRISE»

  

 

Soube bem ler no Público de ontem (versão impressa, não tenho link) um artigo de José Jorge Letria - Escritor, jornalista e presidente da Sociedade Portuguesa de Autores  - com o Titulo «Não Investir na Cultura é Agravar a Crise». Um bocado (uma boa parte) do artigo:

«Não basta programar eventos culturais. É preciso delinear e tornar sustentáveis verdadeiras políticas culturais que levem em conta múltiplos factores, desde logo de natureza sociológica. Infelizmente, Portugal não tem esta tradição.  
 A chamada "classe política", mesmo a que tem hábitos culturais, é, em regra, pouco culta, mesmo que leia livros, veja filmes e vá ao teatro e a concertos. Uma coisa é ter hábitos culturais e outra é perceber que a cultura pode e deve ;r um elemento estruturante da vida de um país. E não vale a pena argumentar dizendo que existem outras necessidades que a crise torna prioritárias. Mesmo que tal perspectiva seja aceitável, isso não desculpabiliza os que negam à economia da cultura a importância que de facto tem, designadamente para ajudar a superai" crises de grande magnitude.  
 Tinha razão François Mitterrand quando, interrogado por jornalistas sobre o nome do ministro da Cultura do seu primeiro Governo, respondeu: "No meu Governo todos são ministros da Cultura". Chegará o dia em que um primeiro-ministro português possa produzir semelhante afirmação ?  
 Apoiar a cultura não é apenas conseguir, com esforço, mais umas "migalhas" no Orçamento do Estado ou no das autarquias. É urgente que os decisores políticos de topo percebam que, sem autores e artistas, terão um país cada vez mais pobre, desestruturado, de cidadania débil e sem esperança no futuro.  
 O fracasso da política do betão, que marcou as décadas de oitenta e noventa do século XX em Portugal, veio demonstrar à saciedade que não existe progresso material sustentável se não for acompanhado pelo progresso moral e espiritual. Portugal precisa de um quadro legal que defenda, de facto, os direitos dos seus autores, precisa de mais orquestras e mais companhias de teatro espalhadas pelo país, precisa de mais respeito pelo seu magnífico património edificado. E precisa, sobretudo, de meios para investir no que tem futuro, sem deixar que todos os meses emigrem para múltiplos destinos, com regresso mais do que duvidoso, jovens artistas, autores e cientistas. Portugal precisa de mais talento, mais criatividade e mais sonho e de muito menos rotundas e de muito menos inaugurações "para o retrato". Portugal precisa, afinal, de apostar naquilo que o honra e dignifica, por ser perene e enriquecedor da cidadania e da identidade colectiva.  
 Então e a crise, que é essencialmente económica, financeira e consequentemente social ? É justamente por estarmos a vivê-la e a sofrê-la que se justificam posições como a que se assume neste texto, porque a cultura tem um reconhecido potencial que está por explorar de forma consistente e organizada. Além de ter respostas a dar no presente, ela é, essencialmente, uma garantia de futuro, principalmente se a associarmos a uma verdadeira política de defesa e promoção da nossa língua e se a soubermos articular com a oferta turística e com uma dinâmica económica que envolva a exportação de bens culturais.  
 A Presidente do Brasil, no discurso de tomada de posse, apontou o investimento na cultura e o apoio à exportação da música e de outras formas de expressão artística como uma das prioridades do seu Governo. Será que o facto de termos uma língua comum não poderá contribuir para que essa mensagem chegue a Portugal e seja compreendida enquanto ainda é tempo?»  

publicado por MAF às 18:00
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